sábado, 23 de fevereiro de 2013

LUIZ VILELA em uma entrevista com JOSÉ ROSÁRIO


LUIZ VILELA




LUIZ VILELA - Fishing in Milford - Óleo sobre tela

José Rosário - Onde nasceu e quando?

Luiz Vilela - Eu nasci em Boa Esperança, sul de Minas Gerais, em 1965.



José Rosário - Vi que começou pela Arquitetura, ainda tem alguma ligação com essa atividade? Trabalha exclusivamente com arte? Fale-nos um pouco sobre o começo com as artes:

Luiz Vilela: Eu me mudei para o Rio de Janeiro onde eu estudei Arquitetura e Urbanismo na FAU/UFRJ. Quando morava no Rio, trabalhei com Arquitetura, mas não me aprofundei muito no mercado, trabalhei mais fazendo perspectivas e “renderings” das fachadas dos projetos, e também com projetos de lojas e vitrines. O curso de Arquitetura me deu régua e compasso, foi muito bom para desenvolver a visão espacial, aprender geometria e perspectiva e história da arte. Ao mesmo tempo, eu frequentei o Parque Lage, fiz aulas com Roberto Magalhães e outros artistas. Ainda na faculdade comecei a ilustrar livros infantis para editoras brasileiras. Resolvi mudar para os EUA a partir de conselhos dos meus professores e tive minha aplicação aceita pelo Pratt Institute em Nova York para fazer curso de ilustração comercial. Cheguei em Nova York no verão de 1995 e logo após o término do curso, em 1997, eu fui contratado pelo departamento de arte da editora Golden Books para fazer design de livros - e ilustrações também: o fato de eu saber desenhar e pintar contribuiu para o sucesso na carreira. A maioria dos designers não têm este tipo de habilidade. Mesmo trabalhando com design gráfico eu nunca deixei de pintar e desenhar. No curso do Pratt eu aprendi muito sobre técnicas de pintura, desenho, aquarela e etc, o programa é muito rico e intenso... E o fato de morar numa cidade como Nova York é uma experiência sensacional, posso dizer que é um privilégio poder usufruir de todas as ofertas culturais que a cidade oferece. Eu frequentei (e ainda frequento) os museus para estudar os trabalhos dos mestres e copiá-los, assistir às palestras, aos espetáculos de óperas e balés do Lincoln Center e o BAM, por exemplo. Acho que tudo isto contribui para a bagagem cultural do ser humano e consequentemente reflete na forma de expressão do artista. Uma das grandes oportunidades que tive foi o fato de o prédio em Manhattan onde eu trabalhava ficar em frente ao prédio da The Arts Students League of New York (www.theartstudentsleague.org ) que é a escola de arte mais tradicional da cidade. Eu fiz aulas de modelo vivo com o pintor Ronald Sherr à noite, depois do expediente de trabalho. Mais tarde, a Golden Books foi adquirida pela Random House que hoje é o maior conglomerado de editoras que existe. Eu trabalhei como design gráfico de livros infantis durante 15 anos, até Outubro de 2012, quando saí para dedicar meu tempo exclusivamente à minha arte.




LUIZ VILELA - The boathouse - Óleo sobre tela



 



José Rosário - Há tanto tempo no mercado norte-americano, como vê a aceitação do artista estrangeiro por aí?

Luiz Vilela: Eu costumo dizer que há lugar para todo mundo na América. Talvez pelo fato de eu estar aqui há muito tempo e ter entrado no mercado de arte relativamente como um nativo americano qualquer, eu não senti nenhum estranhamento pelo fato de eu ser estrangeiro. Quero dizer, eu sou inspirado pela paisagem americana do lugar onde moro e o meu trabalho retrata esta paisagem e arredores, portanto a reação ao meu trabalho no mercado de arte americano é normal. De vez em quando me perguntam de onde sou por causa do nome e do modo de falar. Eu conheço artistas de vários lugares do mundo que mostram o trabalho deles aqui, em competições internacionais e a reação é natural - eu acho que se o artista desenvolve um trabalho bem feito e sincero as barreiras culturais desaparecem.




LUIZ VILELA - Fur-portrait of Donald Becker - Óleo sobre tela



José Rosário - Há no Brasil uma espécie de valorização excessiva das artes de vanguarda, por parte das instituições e galerias. Mesmo que demonstre uma luz no fim do túnel de que as coisas venham a melhorar um dia, a arte realista tem passado maus momentos por aqui. Qual é a realidade do mercado norte-americano nesse sentido?

Luiz Vilela: A mesma coisa acontece aqui nos Estados Unidos. E no mundo todo. Mas acredito que isto está começando a mudar. Com raízes no Renascimento, durante mais de quinhentos anos, os mestres artistas transmitiram um sistema de conhecimento para seus alunos. O impacto da nova forma democrática de pensar do Iluminismo em conjunto com uma formação clássica incomparável, acionou o maior período de criatividade que as belas artes já tinha visto. Mais tarde os impressionistas pariram a chamada arte moderna que mudou para tudo o que é chamado de arte hoje em dia. Muitos acreditavam que a pintura realista foi substituída pela fotografia. (De uma certa maneira, foi mesmo, no caso da área de propaganda e marketing, os trabalhos de arte e pintura foram substituídos pela fotografia no final do século XX.) Depois disseram que a própria ARTE havia morrido. A arte tornou-se “arte sobre a arte” e não arte sobre a vida. Atualmente existe uma contínua marginalização da arte realista, portanto, da pintura acadêmica pelo estabelecimento, o que me faz acreditar que a arte realista hoje em dia é a arte de vanguarda atual, quer dizer, o círculo da evolução da arte como a gente a conhecia se fechou e o processo está começando de novo. Hoje existe uma revolução artística -um novo renascimento- que ainda está à margem do mercado. Existe uma procura pela arte clássica dos ateliers franceses do final do século XIX novamente. Dos anos 50 até recentemente, se um alguém se matriculasse numa escola de arte, o que esta pessoa iria aprender? A estética da hora era fazer arte abstrata, expressionista, e os desdobramentos destas correntes. Como é que você “ensina” a fazer arte abstrata? Qual é a estética da arte abstrata e contemporânea? O artista faz o que quiser manejando tintas e pincéis. E fortunas são feitas a partir deste jeito “rápido” e rebelde de se fazer arte. Já para fazer a arte acadêmica/figurativa o artista precisa de treino, pois os artistas autodidatas que são realmente bons no que fazem, eles são raros... Hoje em dia, existe muita gente querendo aprender as técnicas da pintura realista como era ensinada e praticada nos ateliers franceses de pintura acadêmica no final do século XIX, com ênfase em desenho tradicional com modelo vivo, pintura e escultura. O processo de aprendizado começa com os estudantes desenhando e passando à pintura na medida em que sua habilidade progride. Academias e ateliers de arte estão “pipocando” por todo a America e na Europa também. Antes dessa “nova onda” era difícil encontrar escolas de arte de ensino acadêmico, do tipo da The Art Student League, em Manhattan. Como exemplos destes novos estabelecimentos, dentre outros, eu sito principalmente:

- Studio Incamminati na Filadélfia (fundado em 2002 pelo artista Nelson Shanks) http://www.studioincamminati.org/

- Water Street Atelier, mais tarde chamado Grand Central Academy, em Nova York (fundado por Jacob Collins)http://www.grandcentralacademy.org/

- Florence Academy of Art em Florença (fundada em 1991 por Michael Graves) http://www.florenceacademyofart.com/index.php

- Angel Academy of Art em Florença (fundada por Michael John Angel que estudou com Pietro Annigoni)http://www.angelartschool.com/

Existem grupos de pintores também como os The Putney Painters influenciados pelo artista Richard Schmid (http://www.villageartsofputney.com/The_Putney_Painters.html ); e pintores como David Leffel, Daniel Greene e Burt Silverman, dentre outros, que desenvolvem um trabalho magnífico de pintura realista e influenciam a nova geração interessada nesta nova corrente. Da turma mais nova eu cito os pintores Jeremy Lipking, Daniel James Keys, Daniel Sprick, Scott Burdick, só para mencionar alguns deles. São muitos.




LUIZ VILELA - Waiting for you - Óleo sobre tela



José Rosário - Realmente são artistas tidos como referências no cenário realista atual. Quanto à arte brasileira, existe alguma ligação sua com outros artistas brasileiros radicados por aí?

Luiz Vilela: Não conheço pessoalmente nenhum pintor brasileiro radicado nos EUA. Conheço fotógrafos e jornalistas. O Facebook tem facilitado este tipo de “network” ultimamente. Através dele, fico em contato com muitos artistas brasileiros, inclusive Andre Nobrega que vive na Califórnia. Conheci a artista brasileira Juliana Limeira, de Brasília, na conferência de arte da Portrait Society of America (www.portraitsociety.org ). Estas conferências são um ótimo meio para conhecer outros artistas.




LUIZ VILELA - On the river - Óleo sobre tela



José Rosário - Existe algum grupo ou movimento do qual você participa?

Luiz Vilela: Além ser membro da Portrait Society of America, faço parte do Artsbridge Group na minha região, atualmente com mais de 300 membros artistas - este grupo promove exposições, divulga o trabalho dos artistas e contribui para a troca de informações e contato entre eles.

Na região onde moro, que fica às margens do rio Delaware, rio este que divide os estados de Nova Jersey e Pensilvânia, existem mais de 1000 artistas praticando todos os estilos e técnicas - escultores, pintores, fotógrafos, artesanato, música, e letras. Além de galerias de arte e antiquários, existe um museu maravilhoso chamado Michener Museum (www.michenermuseum.org ), na cidade Doylestown no estado da Pensilvânia. A região de Bucks County, PA, é conhecida como reduto de artistas por muitos anos e pintores americanos influenciados pelo Impressionismo europeu vieram morar aqui, entre eles, Edward Redfield, Daniel Garber e William Lathrop. Escritores como James A. Michener, Dorothy Parker e Pearl S. Buck moraram na região, assim como os músicos Oscar Hammerstein, II, Stephen Sondheim e Charlie Parker. Quando eu morava em Nova York, amigos me aconselhavam a visitar esta área, o que fiz no final do ano 2000. E fiquei encantado com o que vi, tanto que mais tarde eu me mudei para cá.

No caso da Portrait Society of America (PSOA) seu propósito é promover e melhorar a compreensão das práticas, técnicas e aplicações da arte tradicional de retratos e obras figurativas, principalmente. As atividades desenvolvidas pela corporação são educativas por natureza. Seus projetos aumentam o conhecimento técnico e estético dos artista praticantes, do amador aspirante, dos estudantes de arte assim como do público em geral. A conferência acontece no final do mês de abril, a cada ano em uma cidade diferente. Em 2013 será em Atlanta e é preciso ser membro da sociedade para poder atender ao evento, mas vem gente do mundo todo.




LUIZ VILELA - The Chef-portrait of Jim Hamilton - Óleo sobre tela



José Rosário - Há alguma galeria específica que o represente por aí?

Luiz Vilela: Eu trabalhei com várias galerias de arte, e recentemente era representado pela desChamps Gallery em Lambertville, mas infelizmente a diretora faleceu e a galeria fechou. No momento eu estou avaliando convites para participar em outras galerias mas ainda não defini com qual deverei trabalhar ainda.

Atualmente estou vivendo uma fase muito interessante e nova, depois de trabalhar em Manhattan no departamento de arte das editoras, eu resolvi dedicar todo o meu tempo ao meu trabalho de pinturas. Agora passo o dia no atelier procurando divulgar minha arte. Os clientes e pessoas que conhecem meu trabalho entram em contato comigo através do meu website, ou por telefone, agendando visitas e também requisitando comissões.




LUIZ VILELA - Finkles - Óleo sobre tela



José Rosário - Vi que já fez vários cursos e sem dúvida eles sempre acrescentam. Alguns de seus mestres já eram suas referências? Que artistas praticam algo com aquilo que você mais identifica no momento?

Luiz Vilela: Eu acho que o ser humano nunca para de aprender, portanto sempre procuro fazer workshops de pintura, principalmente se eu noto que o artista mentor tem alguma qualidade ou técnica diferente da minha, eu acho que neste caso se aprende mais. Eu frequentei o Studio Incamminati, na Filadélfia, por vários anos. Eles são responsáveis pela maioria das técnicas que aprendi com relação à pintura figurativa. É uma escola muito séria, os professores foram treinados pelo artista Nelson Shanks e seguem seus passos, mas cada um com seu estilo próprio, claro. Há alguns anos, numa das conferências da Portrait Society, eu conheci o pintor David Leffel. Eu já o conhecia dos livros e revistas de arte os quais eu lia e estudava, mas pintar com ele e ouvir seus conselhos e tutelagem está sendo muito importante para aumentar o meu conhecimento e técnica de pintura. Você aprende filosofia de vida também- ele é muito sábio, um mentor natural e provavelmente o artista mais pleno no sentido da palavra que eu tive a oportunidade de conhecer. E também porque ele é um ser humano muito generoso e tem um talento e facilidade enorme para dividir sua sabedoria.




LUIZ VILELA - George Street - Óleo sobre tela



José Rosário - Tem preferência por alguma técnica, em especial?

Luiz Vilela: Óleo. É o veículo com o qual mais gosto de me expressar. Mas gosto muito de desenho e principalmente aquarela - e admiro o trabalho de Mary Whyte, uma aquarelista soberba da Carolina do Sul. (www.marywhyte.com )



José Rosário - A pintura em local (plein air) é uma atividade corriqueira ou ocasional?





Luiz Vilela: Eu gostaria que fosse mais corriqueira do que ocasional. Porque é muito importante pintar “in loco.” É quando o artista mais aprende porque todas as respostas para suas dúvidas estão ali, na sua frente. É só saber ver. E esta é a luta de todo artista: aprender a ver o mundo. Para depois interpretá-lo e dividir suas impressões.


José Rosário - Seus trabalhos são divulgados no Brasil por alguma galeria? Há alguma publicação sua que queira compartilhar?

Luiz Vilela: Uma tela minha faz parte da coleção do acervo do Museu de Arte Contemporânea MAC Bahia.

Não tenho representação em nenhuma galeria no Brasil, ainda. Este é um projeto e uma vontade que tenho, para um futuro próximo. Estou trabalhando num projeto de pintura retratando o povo brasileiro, o que deverá ser uma “ponte” para restabelecer meu contato com o país onde cresci, e minhas raízes.

Editei um livro com meus trabalhos de pintura, e pode ser adquirido pelo link abaixo:
http://www.blurb.com/b/2048271-buoyant-brushwork-the-art-of-luiz-vilela


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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

JOÃO BOSCO CAMPOS

























Engenho de cana

Óleo sobre tela - 50 x 70




Abrindo a porteira

Óleo sobre tela - 70 x 100




Lavadeira

Óleo sobre tela





Areal

Óleo sobre tela - 50 x 70




Na lagoa

Óleo sobre tela - 50 x 70




Lavrador









Lavadeira






Fundo de quintal

Óleo sobre tela - 50 x 70




Descanso interrompido

Óleo sobre tela - 70 x 100







Carro de boi

Óleo sobre tela




Sabará

Óleo sobre tela - 40 x 60




Retorno do moinho

Óleo sobre tela - 60 x 80



João Bosco sempre teve preferência para os trabalhos feitos à óleo. inicialmente tinham uma veia acadêmica marcante, foram dando espaço para pinceladas soltas e bem características, encaminhando cada vez mais para um impressionismo bem personalizado. Ainda não abriu mão de retratar cenas mineiras bem típicas. Seu trabalho atual consiste também na produção cada vez mais crescente de retratos. A figura humana está sempre presente em grande parte de sua produção.




O tropeiro

Óleo sobre tela - 50 x 70




Violeiro

Óleo sobre tela




Fundo de quintal

Óleo sobre tela




"





Guardando a colheita

Óleo sobre tela




A velha fonte

Óleo sobre tela, 60 x 80




Menino e animais

Óleo sobre tela















Pequeno leiteiro

Óleo sobre tela, 40 x 30




Carteado

Óleo sobre tela




Procissão

Óleo sobre tela






Ramón Vena,




Ponte sobre o Rio Gilão, Portugal

Óleo sobre tela, 60 x 80




Litoral do Rio de Janeiro

Óleo sobre tela, 60 x 100




Mercado Ver-o-Peso, Belém-Pará

Óleo sobre tela, 60 x 100







Retrato

Óleo sobre tela




Retrato

Óleo sobre tela




Retrato de Sepúlveda Pertence

Óleo sobre tela
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